A paixão é um combustível excelente, mas um péssimo capitão.

Esta é uma distinção crucial e, muitas vezes, o ponto onde muitos tropeçam na sua caminhada espiritual e vocacional. A paixão é um combustível excelente, mas um péssimo capitão.

A emoção é volátil (como o clima), enquanto a convicção é geológica (como a montanha). A emoção grita "agora!", a convicção sussurra "sempre".

Vamos usar a lupa das Escrituras para dissecar estas duas faces da moeda. Veremos como se parecem a Emoção (Impulso da alma) e a Convicção (Impulso do Espírito) quando são postas à prova.

Lado A: A Emoção (O impulso da carne e da alma)

A emoção costuma nascer de um estímulo externo (uma boa canção, uma pregação fervorosa, uma necessidade urgente). É poderosa para arrancar, mas carece de raiz para permanecer.

1. Pedro e a espada (A reação impulsiva)

O Relato: No jardim do Getsémani, quando vêm prender Jesus, Pedro saca da espada e corta a orelha a Malco (João 18:10). Horas antes, tinha prometido: "Darei a minha vida por ti".

A Análise: Pedro agiu com "paixão". Tinha um zelo enorme e uma emoção intensa de lealdade. Mas não tinha convicção de qual era o plano de Deus. A sua emoção ditou-lhe violência quando o Espírito ditava sacrifício.

O Resultado: Quando a emoção baixou e o medo subiu, Pedro negou Jesus três vezes. A emoção não suporta a pressão do fracasso aparente.

2. O Rei Saul e o sacrifício (A pressa do medo)

O Relato: Samuel tardava em chegar e o exército filisteu aproximava-se. Os soldados de Saul começaram a desertar. Saul, sentindo a pressão e o medo, ofereceu ele mesmo o holocausto, algo proibido para ele (1 Samuel 13).

A Análise: Saul moveu-se pelo que viam os seus olhos e sentiam as suas entranhas (pânico). "Senti-me obrigado", disse. Isso é emoção reativa.

O Resultado: Perdeu o reino. A emoção procura aliviar a ansiedade do momento; a convicção sabe esperar no desconforto.

Lado B: A Convicção (O estado inabalável do Espírito)

A convicção é um "estado". Não depende de haver sol ou chuva. A convicção é saber algo tão profundamente que a dúvida não tem onde aterrar.

1. Sadraque, Mesaque e Abednego (A certeza sem garantias)

O Relato: Diante da fornalha de fogo, dizem: "O nosso Deus pode livrar-nos... e se não, fica a saber, ó rei, que não serviremos os teus deuses" (Daniel 3:17-18).

A Análise: Aqui não há emoção de "heroísmo". Há uma sobriedade aterradora. A convicção não depende do resultado ("se me livrar, bem; se não, também").

O Resultado: Entraram no fogo e não se queimaram. A convicção não muda de opinião quando a temperatura sobe.

2. Jesus no Getsémani (A submissão da emoção à convicção)

O Relato: Jesus sente uma angústia mortal. A sua alma (emoção/psique) diz: "Passa de mim este cálice". O seu espírito (convicção) diz: "Mas não se faça a minha vontade, mas a tua".

A Análise: Este é o exemplo supremo. Jesus sentiu a emoção negativa (medo, angústia), mas não se moveu por ela. A convicção é o que te mantém na cruz quando as tuas emoções te gritam para desceres.

O Resultado: A Salvação do mundo.

Tabela Comparativa: Como distinguir o que sinto?

Às vezes o "fogo" sente-se igual no início. Aqui tem um filtro para examinar o seu coração:

CaracterísticaMover-se por Emoção (Alma)Mover-se por Convicção (Espírito)
OrigemEstímulos externos, ambiente, "hype".Revelação interna, paz profunda.
DuraçãoApaga-se quando chega a rotina ou a dor.Cresce ou sustenta-se na dificuldade.
Foco"O que ganho eu?" ou "Como me sinto?""O que é a Verdade?" ou "O que diz Deus?"
FlexibilidadeMuda se as circunstâncias mudam.Inabalável, mesmo que tudo desmorone.
FrutoCansaço, frustração, inconstância.Paz, perseverança, autoridade.

 

Conclusão para o seu coração

Voltando à nossa frase: "Fá-lo com paixão ou muda de profissão". A paixão é necessária para a excelência humana, mas a convicção é necessária para a obediência divina.

Podemos dizer que:

A Emoção é o vento nas velas (ajuda a avançar rápido).
A Convicção é o leme e a âncora (dirige e sustenta).

Se tiver vento (emoção) mas não tiver leme (convicção), naufragará assim que a maré mudar.

Para aterrar isto na sua situação atual:

Pense nessa tarefa ou missão que tem em mente. Se amanhã ninguém o aplaudisse, se não recebesse dinheiro por isso, e se lhe causasse fadiga... continuaria a saber que é o que deve fazer?

Se a resposta for SIM, é convicção. Se a resposta for NÃO, é apenas uma emoção passageira.

Esta distinção ressoa com alguma decisão que esteja a tomar agora mesmo?